quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Um heróico pescador de avião

No dia 23 de janeiro de 1935, quando uma esquadrilha de hidroaviões da Aviação Naval sobrevoava o litoral Norte do Estado, nas imediações de Picinguaba, caiu um temporal, oportunidade em que um dos aparelhos veio a sofrer uma pane no motor e foi forçado a pousar no mar, ficando à deriva. Sua situação era perigosa, uma vez que fatalmente seria jogado contra as pedras daquela costeira de rochas escarpadas. Vendo a situação perigosa que se encontrava o piloto da aeronave, um pescador japonês, que se encontrava por perto, não hesitou um só minuto e resolveu socorrê-lo. Ao chegar ao local com seu pequeno barco pesqueiro, de 10 HP de potência do motor e nove metros de comprimento, lançou um cabo e puxou o aparelho para que não fosse de encontro às pedras, passando a rebocá-lo por um certo tempo até que encontrou um outro barco maior, que vinha em socorro do oficial aviador acidentado. Alguns dias depois, o modesto pescador foi chamado à Capitania dos Portos do Estado de São Paulo, onde, ao ser indagado se queria ser recompensado pelo serviço prestado, respondeu que não queria nada, pois apenas tinha cumprido a sua obrigação de homem-do-mar. E, qual não foi a sua surpresa, quando soube que o piloto que havia salvo era o comandante da Primeira Divisão de Patrulha Aérea, integrante da Força de Aviação Naval, que vinha acompanhando a Esquadra - cujo navio capitânea, o encouraçado São Paulo, trazia a bordo o almirante Protógenes Pereira Guimarães, ministro de Estado dos Negócios da Marinha, que vinha para Santos, de onde seguiria para a capital paulista, para participar da grandiosa festividade do 381º aniversário de fundação de São Paulo. De fato, posteriormente, quando o aludido oficial, o capitão-de-corveta aviador naval Hugo da Cunha Machado, assumiu o comando da Base de Aviação Naval da Bocaina(N.E.: antecessora da Base Aérea de Santos, no Guarujá), fez questão de agradecer pessoalmente ao pescador, que compareceu àquela unidade aeronaval, acompanhado do sr. Kinji Kanada, cônsul do Japão em Santos, das duas filhas Takie e Sadayo Okida e de um amigo, sr. Yoshinobu Sakai. Após ter sido recebido pelo comandante da base, capitão-de-corveta aviador naval Hugo da Cunha Machado, e por outros oficiais aviadores, o humilde aviador foi homenageado, recebendo - como recordação da sua ação heróica -, uma pá de hélice aérea.
Sasaki, o cônsul Kinji Kanada, as meninas Sadayo e Takie, Sadami Okida, Hugo Machado e Yoshinobu Sakai, na homenagem em 1935

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