quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Investigadores de Aveiro criam revestimento auto-reparador para aviões da Airbus



A equipa de Mikhail Zheludkevich, investigador do Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO) da Universidade de Aveiro (UA), desenvolveu um tipo de revestimentos inteligentes (auto-reparadores e com a função de sensores) para a nova geração de aviões, como o modelo Airbus 350, por exemplo, e que poderá “prolongar a sua manutenção para dez anos, em vez de cinco”. No caso do material auto-reparador, quando aplicado na fuselagem do avião, “repara estruturas em risco devido a pequenas rupturas resultantes de impactos mecânicos durante a construção ou ambientais sofridos pelos aparelhos durante o voo e é mesmo capaz de parar a corrosão, por exemplo”, segundo asseverou o investigador da UA ao jornal «Ciência Hoje». Esta pele sintética criada para a indústria aeronáutica é constituída por nano-contentores, com uma espessura mil vezes mais pequena da de um fio de cabelo, que “libertam do seu interior moléculas funcionais”, tendo como base uma “estrutura polimérica”. “A funcionalidade de auto-reparação é introduzida nos aviões através dos nossos nano-contentores que são incorporados nas tintas utilizadas no revestimento dos aparelhos”, continuou Mikhail Zheludkevich, acrescentando, que “a segurança, performance e sustentabilidade a longo prazo dos aviões podem ser significativamente melhoradas”. O revestimento vai ser utilizado por um dos maiores fabricantes mundiais de aviões comerciais, a EADS. Para além da empresa proprietária da Airbus, que prevê estar a voar com a protecção da UA em 2013, haverá igualmente companhias ligadas à indústria automóvel, plataformas petrolíferas e ventoinhas eólicas que receberão o novo revestimento auto-reparador. outro revestimento inteligente a ser desenvolvido pela equipa do CICECO é com sensores de impacto mecânico, que liberta moléculas fluorescentes, ou seja, uma solução luminescente à volta de fissuras resultantes de impactos mecânicos ocorridos quer durante a montagem quer durante a exploração das aeronaves, que muitas vezes são imperceptíveis pelo seu tamanho microscópico, mas “muito perigosas se não forem detectados em terra, já que tendem a alastrar durante o voo”. Para além disso, o tempo que o aparelho fica em terra para ser vistoriado com segurança é drasticamente reduzido, o que para as empresas de aviação representa uma melhor rentabilização dos aparelhos. O CICECO prevê que dentro de quatro anos este revestimento inteligente com sensores de impacto mecânico possa já estar a sobrevoar os céus do planeta. Já este projecto não é só a pensar na AIRBUS mas também noutros gigantes da aviação europeia, caso da Alenia Aermacchi, da Bombardier Aerospace ou da Israel Aerospace Industries.
19-12-2012

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